Dois em cada três pacientes com câncer estão desnutridos

Dois em cada três pacientes com câncer estão desnutridos

O paciente volta para o segundo ciclo de quimioterapia com seis quilos a menos. A equipe registra a perda, ajusta a dose e segue. O nutricionista é chamado depois, quando a desnutrição já está instalada.

É assim na maior parte dos serviços. E é exatamente o contrário do que deveria ser.

A desnutrição não é consequência inevitável

O Inquérito Brasileiro de Nutrição Oncológica, conduzido pelo INCA em 45 hospitais de todo o país, avaliou 4.822 pacientes com câncer. O estudo Ibranutri, citado na mesma publicação, encontrou 66,4% de desnutrição entre pacientes oncológicos.

Dois em cada três. E não por falta de comida em casa.

Por que ela é diferente da perda de peso comum

Emagrecer por ingestão insuficiente é uma coisa. A caquexia oncológica é outra: um estado inflamatório e metabólico em que o organismo consome massa muscular mesmo quando a pessoa continua comendo.

A diferença tem consequência prática. Aumentar calorias não resolve a caquexia. O que resolve, ou ao menos contém, é intervenção precoce, antes de a perda de massa magra avançar.

E aqui está o ponto. O tratamento oncológico é uma sequência de ciclos que só acontece se o paciente tolerar cada um deles. Tolerância depende de reserva. A reserva depende do estado nutricional. O prato não cura o câncer. Ele determina se o tratamento que cura consegue ser aplicado até o fim.

O IMC engana

Um achado recorrente nesses estudos incomoda quem avalia só pela balança: pacientes eutróficos e com excesso de peso também apresentam depleção proteica. O IMC normal esconde a perda de músculo.

Por isso a triagem nutricional em oncologia não se faz com peso e altura. Ela exige instrumento validado, aplicado na admissão, e não quando alguém percebe que a calça folgou.

O que muda por tipo de tumor

Não existe conduta única. Cabeça e pescoço enfrenta disfagia e mucosite. Trato digestivo alto lida com obstrução e síndromes disabsortivas. Mama, em geral, chega com o problema inverso: ganho de peso durante a hormonioterapia.

E há o momento em que o objetivo deixa de ser ganho de peso. Em cuidados paliativos, insistir em metas calóricas pode ser mais sofrimento do que benefício. Saber identificar essa virada é competência clínica, não sensibilidade.

A formação que isso exige

Triagem validada, manejo da caquexia, conduta por localização tumoral, nutrição em cuidados paliativos. Nada disso cabe na carga horária de uma graduação em nutrição.

Especialização em Nutrição em Oncologia · 460 horas
Início da turma: 24/02/2027
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